A ideia inicial da Okean era ser uma boutique, atender poucos pedidos, sem uma linha de produção. Porém a experiência internacional do Nércio Fernandes, fundador da empresa,  o fez ver o negócio como um mercado maior. “O que aconteceu de verdade é que não daria para fazer uma empresa do tamanho que a gente queria, do tamanho que estava se colocando, só no mercado brasileiro. Então eu falei: vou para fora. Vou buscar alguma coisa lá porque eu acho que a gente tem um  produto diferenciado. Também foi essa combinação, um pouco de visão e um pouco de produto”. Com o mercado brasileiro em um ritmo lento e tendo um grande Dealer no exterior, o foco do estaleiro deixou de ser uma boutique e passou a ser se consolidar no mercado americano como plataforma para o mercado mundial.

A Okean acredita que também pode atender o mercado brasileiro. “O que a gente está tentando é montar uma estrutura para ter um preço mais interessante aqui para o Brasil. Eu acho que a gente vai conseguir, tudo é escala, eu acho que vamos ter preço bom aqui dentro, e aí vai começar a compensar um pouco mais.”, disse Nércio, que ressaltou que as portas não estão fechadas para o Brasil. Quem quiser um modelo, só terá que aceitar entrar na programação já pré-estabelecida. “Não vamos deixar de vender. Nós fazemos barco para estoque. Eu acho que o mercado nacional, a gente vai conseguir atender ele bem em 2021”.

Nércio Fernandes

Com os modelos sendo desenvolvidos e fabricados, o objetivo do estaleiro é “se industrializar de verdade”. Segundo Nércio, a principal dificuldade é ter uma indústria no Brasil. “Não é fácil. A quantidade de limitações que a gente tem. Esses três primeiros anos foram importantes para a gente. Ainda é um business de maturação longa”.

Mesmo sem ter o Brasil como principal foco, a exportação de modelos chama atenção do mercado interno. Segundo Nércio, o barco e o estaleiro já são queridos dos brasileiros, que conseguem ver valor na marca que está se destacando no exterior. “Vendendo lá fora a gente já vai fortalecendo a marca aqui. Você ver nascer uma
marca brasileira reconhecida lá fora é motivo de orgulho. Dá para a gente sonhar em realmente ser uma marca internacional”.