Okean surpreendeu o mercado nacional com um sucesso rápido no exterior. A empresa é comandada
pelos irmãos Katia e Nércio Fernandes, e tem uma história que vai muito além de barcos vendidos ou ideias brilhantes de modelos tecnológicos.

A família Fernandes tem grande paixão pela navegação. Nércio, empresário do setor de tecnologia, chegou a realizar a façanha de navegar da Flórida para o Brasil numa embarcação de 38 pés com comando só no fly, junto com as irmãs e amigos em muitos trechos da travessia. Não demorou para que Nércio, estimulado pela irmã Karla que veio a falecer durante o período de criação do projeto, pensasse na construção de seus próprios barcos. “Tudo na verdade começou com ela e por esse amor que todo mundo tinha por barcos”. O nome da marca é uma homenagem a irmã falecida, assim foi substituído o C da palavra Ocean pelo K de Kau.

A ideia inicial era construir um trawler de 80 pés. As coisas evoluíram. A opção por uma embarcação menor, de 50 pés logo surgiu como uma maneira mais rápida e interessante. Ao tomarem contato com o projeto do italiano Paolo
Ferragni, eles se apaixonaram pelo design diferente, inovador, sobretudo com os decks laterais que se abriam. Impressionado pelo render, o empresário decidiu continuar o projeto e para isso contou com sua irmã Katia, que já tinha trabalhado com ele por anos e se especializou em projetos de implantação de softwares de gestão empresarial. “Uma noite meu irmão me ligou e falou que estava me mandando um projeto de barco, para eu abrir e ver o que achava. Eu abri e falei: ‘Pô, bacana! Legal’. E ele falou: ‘Olha melhor’. Eu lembro até hoje dele falando o ‘olha melhor’ e aí quando eu vi era o render com as abas abertas, falei: ‘Nércio que coisa extraordinária’”.

Em pouco tempo, Nércio e a irmã estavam embarcando para Gênova, para conhecer Paolo e seu projeto. “Eu só conheci o Amilton no avião. Na hora do check-in”, relembrou Katia. A chegada em Gênova aconteceu durante o Boat
Show e foi lá que o trio encontrou o designer e pôde ver e saber mais sobre o projeto. Quando voltaram para o Brasil com o projeto fechado, faltava aos sócios um lugar para começar o estaleiro. Eles vieram ao Guarujá, encontrar com um colega que tinha um galpão. Katia lembra os primeiros dias no novo galpão do então estaleiro boutique “Negociamos e pegamos esse primeiro galpão aqui, aquela salinha de baixo, sem ar-condicionado, sol nas costas, começamos assim”.

Após ter o galpão e o nome, a Okean a empresa tinha a ambição de ser uma boutique, onde fariam barcos por
encomenda. Por isso, demorou quase um ano para fazer os moldes dos barcos. A demora pode ser explicada
porque a ideia é fazer um molde definitivo, que não necessitaria de nenhum retrabalho depois de aberto.

Depois dos moldes prontos foi a vez de construir o primeiro barco. Exatamente por ser o primeiro, a empresa fez muitos testes para ver o que funcionava e o que ficava melhor. Para Katia essa perfeição têm lados positivos e negativos. “Isso é muito da característica do meu irmão, ele é extremamente detalhista. Foram oito vezes a cozinha, cinco vezes a suíte, e isso no final foi muito legal porque a gente acabou fazendo um barco de proporções e otimização de espaço muito legal. Tem seu pênalti: o prazo do primeiro barco foi maior que o esperado.

Ainda quando estava na fase de construção, Nércio levou o projeto da 50 para os Estados Unidos, para apresentá-lo para a HMY, um dos maiores distribuidores de barcos dos EUA, eles gostaram por ser muito inovador e começaram a acompanhar a construção. Para Nércio e a Okean, uma parceria com essa empresa seria “o melhor dos mundos”, porque colocaria a Okean diretamente no maior mercado do mundo e o Brasil passava por grandes dificuldades.
Nércio se animou para começar o projeto da 80 pés.

A 50 ainda não estava pronta quando o empresário foi a HMY o coloca-se para falar com o vice-presidente da empresa. Foi nesse momento que ele revelou que não estava só fazendo a 50 e revelou as lâminas e o projeto da 80. Com o novo modelo, Nércio lembra a reação dos americanos: “O Vice Presidente falou: poxa, agora realmente está me interessando. E o 50 como está?”. Nércio então convidou o empresário para vir ao Brasil conhecer pessoalmente a fábrica e o modelo. O vice presidente mandou Arthur, que fazia o desenvolvimento das marcas para a HMY. “Nós saímos no dia em que o mar estava um demônio. Era o único dia que ele tinha aqui, e eu falei: ‘Olha, o mar está ruim’. E ele falou: ‘Vamos embora! Você não confia no seu barco?’ e ele voltou encantado”.

Com a visita positiva, a HMY começou a acompanhar o estaleiro e logo fizeram um acordo e mandaram o primeiro modelo para os Estados Unidos.“O primeiro barco eu mandei na cara e na coragem, ou seja, um investimento meu. A gente produziu o número dois, para mandar já para os Estados Unidos. O número 3 estava vendido aqui no Brasil, o número 4 eles venderam lá nos Estados Unidos, o número 5 já foi embora junto com a 55, o número 6 já vai lá para o Boat Show junto com a 55”.